terça-feira, 23 de junho de 2026

As nuvens não eram feitas de algodão

 


"Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão". Foi aí que percebi que a vida vai além de uma metáfora,  principalmente a de um professor.

Desde criança,  sonhava em ser professora, até o ano de 2000, quando me tornei uma, iniciando as atividades no colégio José Narciso. À época,  na direção,  o professor Dideka era rígido e a população de Piripiri dormia em filas quilométricas para conseguir uma vaga para o filho. Lembro de uma vez que o aluno me desrespeitou e o prof Dideka o mandou capinar a escola inteira e trocar uns imensos jarros de lugar. 

Sim, era uma educação rigorosa e aprovada por toda a comunidade. O que acontece hoje é o oposto: gestores, funcionários e professores precisam ser "submissos" aos alecrins dourados da nova geração.

Nesta semana, a alma grande encontrou, numa sala de aula, uma figura representativa imposta à sociedade, que a desobedeceu e desafiou, fazendo-a bravejar de raiva, já que tocar no alecrim dourado, poderia cair uma de suas folhas.

E o que o "sistema", discretamente, sugeriu? Uma reflexão sobre o comportamento da alma grande para se desculpar com a figura e seus pais, meros fantoches representativos de família,  que não impõem limites e nem respeito ao "bebê".

A alma nobre, com 26 anos de profissão,  passando por isso pela primeira vez, decidiu abster-se, evaporar, desaparecer para que o trio figurante sinta-se confortável num sistema que menospreza, a cada dia, a profissão do professor e aumenta o direito dos alunos, principalmente os infrequentes,  irresponsáveis e desrespeitosos.

Não! A grande alma prefere ser tachada de covarde a ter que pedir desculpas a uma figura representativa que a desrespeitou. Jogar 26 anos por água abaixo não está nos planos dela,  porque ela nasceu da geração de professores com conhecimento de verdade, dar importância a isso de forma incisiva e jamais perderá sua postura diante de figurantes que nem entendem o que está escrito aqui.

É uma pena que os valores estejam sendo invertidos, que os professores saiam sempre como culpados, mesmo sendo vítimas,  que a família seja fantoche e que uma sistema educacional esteja falindo, principalmente pelo medo de educadores e gestão. 

Onde vamos chegar? Não sei! E sei que que as nuvens não são feitas de algodão, mas eu sou feita de sentimentos,  de ética,  de caráter e, principalmente,  de missão.  E isso ninguém tirará de mim.

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