"Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão". Foi aí que percebi que a vida vai além de uma metáfora, principalmente a de um professor.
Desde criança, sonhava em ser professora, até o ano de 2000, quando me tornei uma, iniciando as atividades no colégio José Narciso. À época, na direção, o professor Dideka era rígido e a população de Piripiri dormia em filas quilométricas para conseguir uma vaga para o filho. Lembro de uma vez que o aluno me desrespeitou e o prof Dideka o mandou capinar a escola inteira e trocar uns imensos jarros de lugar.
Sim, era uma educação rigorosa e aprovada por toda a comunidade. O que acontece hoje é o oposto: gestores, funcionários e professores precisam ser "submissos" aos alecrins dourados da nova geração.
Nesta semana, a alma grande encontrou, numa sala de aula, uma figura representativa imposta à sociedade, que a desobedeceu e desafiou, fazendo-a bravejar de raiva, já que tocar no alecrim dourado, poderia cair uma de suas folhas.
E o que o "sistema", discretamente, sugeriu? Uma reflexão sobre o comportamento da alma grande para se desculpar com a figura e seus pais, meros fantoches representativos de família, que não impõem limites e nem respeito ao "bebê".
A alma nobre, com 26 anos de profissão, passando por isso pela primeira vez, decidiu abster-se, evaporar, desaparecer para que o trio figurante sinta-se confortável num sistema que menospreza, a cada dia, a profissão do professor e aumenta o direito dos alunos, principalmente os infrequentes, irresponsáveis e desrespeitosos.
Não! A grande alma prefere ser tachada de covarde a ter que pedir desculpas a uma figura representativa que a desrespeitou. Jogar 26 anos por água abaixo não está nos planos dela, porque ela nasceu da geração de professores com conhecimento de verdade, dar importância a isso de forma incisiva e jamais perderá sua postura diante de figurantes que nem entendem o que está escrito aqui.
É uma pena que os valores estejam sendo invertidos, que os professores saiam sempre como culpados, mesmo sendo vítimas, que a família seja fantoche e que uma sistema educacional esteja falindo, principalmente pelo medo de educadores e gestão.
Onde vamos chegar? Não sei! E sei que que as nuvens não são feitas de algodão, mas eu sou feita de sentimentos, de ética, de caráter e, principalmente, de missão. E isso ninguém tirará de mim.

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